
O governador do Acre, Gladson de Lima Cameli, terá no próximo dia 19 de novembro um dos julgamentos mais aguardados da história recente da política acreana. Réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Cameli responde a acusações graves que incluem peculato, lavagem de dinheiro, fraude à licitação, formação de organização criminosa e corrupção ativa e passiva. Esse é o primeiro processo da ação penal aberta em 15 de maio do ano passado, conhecida como Caso Murano, envolvendo uma empresa que, segundo as investigações, teria sido favorecida pelo governo em contratos milionários.
O caso ganhou repercussão nacional desde o desencadeamento da Operação Ptolomeu, deflagrada pela Polícia Federal em 16 de dezembro de 2021. Desde então, três fases da operação revelaram suspeitas estruturadas de desvio de recursos públicos e favorecimento ilícito dentro da administração estadual. Ao longo do processo, Cameli raramente enfrentou diretamente o mérito das acusações, optando por recorrer diversas vezes para tentar anular a ação. Embargos, recursos e manobras jurídicas tentaram atrasar o andamento, mas não conseguiram impedir a chegada do julgamento.
A ministra Nancy Andrighi, relatora do caso, já apresentou seu voto, posteriormente revisado pelo ministro João Otávio Noronha, liberando a ação para ser apreciada pelo colegiado. Mesmo com novos embargos de declaração apresentados recentemente pela defesa, o STJ confirmou que eles não têm o poder de suspender a data marcada. O julgamento decidirá o futuro de Cameli, que é apontado pelo Ministério Público Federal como possível chefe de uma organização criminosa instalada no governo do Acre — algo que ele nega. Ainda assim, as acusações são graves e nenhuma delas prevê pena alternativa que não seja de reclusão, caso haja condenação.
O Ministério Público Federal pede ainda que o governador perca o cargo público, com base no artigo 92 do Código Penal, além do pagamento de quase R$ 24 milhões em multas e a perda de bens supostamente adquiridos com recursos ilícitos, como um apartamento de alto padrão nos Jardins, em São Paulo, e uma caminhonete Hilux SW4. O julgamento acontece dois dias após o Tratado de Petrópolis completar aniversário, somando simbolismo a um momento decisivo para o estado. Resta agora aguardar que a justiça seja feita — absolvendo, caso Cameli prove inocência, ou responsabilizando com o rigor da lei, caso se confirmem os crimes pelos quais ele é acusado.





