
Colocar comida na mesa pesou no bolso de todos os brasileiros no mês passado. Em maio de 2026, o preço da cesta básica subiu em todas as 27 capitais do país. Na capital acreana, o conjunto de alimentos essenciais custou R$ 689,11.
Para quem ganha um salário mínimo (que hoje está em R$ 1.621), isso significa que 43% do dinheiro livre vai embora só com o supermercado.
Apesar de o valor assustar, Rio Branco ficou como a terceira mais barata do país, atrás apenas de São Luís (MA) e Aracaju (SE). Entretanto, ao analisar afinco os números, especialistas apontam uma distorção entre números e vida real.
Se você olhar o mapa do Brasil da pesquisa, as regiões Norte e Nordeste aparecem com cores mais claras, o que dá a impressão de que as coisas são mais fáceis nessas localidades.
Mas o próprio DIEESE [Departamento Interestadual de Estatística e Estudos Socioeconômicos] explica que isso acontece por causa da forma como a conta é feita. Em Rio Branco, a lista de alimentos pesquisados no comércio tem menos itens do que a lista usada nos estados do Sul e do Sudeste. Com menos produtos na contagem oficial, o preço final parece menor, mas o peso no bolso do trabalhador continua grande.
O “salário ideal” deveria ser cinco vezes maior
A Constituição Brasileira diz que o salário mínimo deveria ser suficiente para pagar alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e lazer de uma família de quatro pessoas.
Para dar conta de tudo isso em maio, o DIEESE calculou que o salário mínimo ideal no Brasil deveria ser de R$ 7.999 — ou seja, quase 5 vezes mais do que o valor atual.
Na média do país, o trabalhador perde 52% do seu salário líquido logo na boca do caixa do supermercado, antes mesmo de pagar a conta de luz, a água, o aluguel ou a passagem de ônibus. Para conseguir comprar essa comida básica, o brasileiro precisa trabalhar, em média, 105 horas por mês.
A situação mais difícil do país está em São Paulo, que tem a cesta básica mais cara do Brasil: R$ 952,20. Na capital paulista, quem ganha um salário mínimo precisa trabalhar 129 horas — o que dá mais de três semanas inteiras de serviço — só para pagar a comida.
A cidade que teve a maior subida de preços no último ano foi Recife (PE), onde a cesta básica disparou mais de 21% só em 2026. Por outro lado, a única capital onde o preço dos alimentos caiu nos últimos 12 meses foi São Luís (MA), com uma redução de 2,5%.
Embora o Acre esteja em uma posição moderada nesta última pesquisa, os economistas lembram que o estado depende muito das estradas para trazer os produtos de fora. Qualquer problema no transporte ou isolamento por causa das chuvas e cheias dos rios pode fazer o preço nos supermercados de Rio Branco subir rapidamente nos próximos meses.
Fonte: A Gazeta do Acre




