Pesquisadores mapeiam mais de 350 km de estradas pré-colombianas no Acre e revelam sofisticada rede indígena

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Descoberta reforça evidências de que povos ancestrais da Amazônia desenvolveram sistemas avançados de mobilidade e organização territorial antes da chegada dos europeus

Uma descoberta arqueológica de grande relevância para a história da Amazônia está lançando novas luzes sobre a ocupação humana no Acre. Pesquisadores identificaram e mapearam mais de 350 quilômetros de estradas pré-colombianas construídas por povos indígenas que habitaram a região séculos antes da chegada dos colonizadores europeus.

As vias foram encontradas em áreas onde também estão localizados os famosos geoglifos acreanos, estruturas geométricas escavadas no solo que despertam o interesse da comunidade científica internacional. Os estudos apontam que as estradas apresentavam traçados surpreendentemente retos e, em muitos casos, eram orientadas de acordo com os pontos cardeais, demonstrando planejamento e conhecimento do território.

Segundo os pesquisadores, algumas dessas estradas ultrapassavam cinco quilômetros de extensão e tinham papel fundamental na integração das comunidades indígenas. Além de conectar aldeias e áreas habitadas, elas permitiam o acesso a rios, áreas de cultivo e locais utilizados para atividades cerimoniais.

O mapeamento foi realizado com o auxílio de tecnologias modernas, como imagens de satélite e análises geoespaciais, que permitiram identificar uma extensa rede de caminhos escondida sob a vegetação amazônica. A pesquisa reforça a tese de que o sudoeste da Amazônia abrigou sociedades numerosas, organizadas e capazes de transformar significativamente a paisagem muito antes do período colonial.

Para os especialistas, a descoberta ajuda a desconstruir a antiga ideia de que a Amazônia era ocupada apenas por pequenos grupos isolados. Pelo contrário, as evidências indicam a existência de populações complexas, com sistemas de engenharia, planejamento territorial e organização social bastante desenvolvidos.

O Acre concentra alguns dos mais importantes sítios arqueológicos da Amazônia brasileira, e novas pesquisas continuam revelando a riqueza histórica e cultural dos povos que viveram na região há centenas de anos. Os resultados também reforçam a importância da preservação dos geoglifos e demais patrimônios arqueológicos, considerados fundamentais para compreender a trajetória dos povos originários da floresta.