Atendimentos por glaucoma quase dobram em dez anos no Brasil

Compartilhe em suas redes

Os atendimentos relacionados ao glaucoma praticamente dobraram no Brasil na última década, reforçando o alerta de especialistas sobre a importância do diagnóstico precoce. Dados do Ministério da Saúde apontam que os registros ambulatoriais para tratamento da doença cresceram 99,5% entre 2015 e 2025.

Considerado uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, o glaucoma costuma avançar de forma silenciosa, sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Por isso, muitos pacientes descobrem a doença apenas quando já existe comprometimento significativo da visão.

Embora seja frequentemente associado ao aumento da pressão ocular, o glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico, responsável por transmitir as informações visuais ao cérebro. Quando ocorre dano progressivo a esse nervo, a perda visual se instala gradualmente, geralmente começando pela visão periférica.

Especialistas alertam que os danos provocados pela doença não podem ser revertidos. Por esse motivo, identificar o problema precocemente é fundamental para preservar a qualidade de vida dos pacientes.

O glaucoma pode se manifestar de diferentes formas. O tipo mais comum é o glaucoma de ângulo aberto, caracterizado por evolução lenta e silenciosa. Já o glaucoma de ângulo fechado pode surgir de maneira mais aguda, provocando sintomas como dor ocular, visão embaçada, vermelhidão e até perda súbita da visão.

Dados do Ministério da Saúde mostram que os atendimentos ambulatoriais relacionados ao glaucoma primário de ângulo aberto passaram de pouco mais de 2,1 milhões em 2015 para cerca de 4,2 milhões em 2025. Os registros de glaucoma primário de ângulo fechado também cresceram no período.

Segundo especialistas, o aumento acompanha o envelhecimento da população brasileira e a ampliação do acesso aos serviços de saúde. Campanhas de conscientização também têm contribuído para que mais pessoas procurem atendimento e recebam diagnóstico.

A incidência da doença aumenta com a idade, especialmente após os 40 anos. Pessoas com histórico familiar de glaucoma, diabetes, hipertensão, uso prolongado de corticoides ou traumas oculares devem redobrar a atenção e realizar acompanhamento oftalmológico regular.

Como o glaucoma costuma ser assintomático, as consultas periódicas são consideradas a principal ferramenta para detectar a doença. Durante os exames, o médico avalia a pressão intraocular, o nervo óptico e, quando necessário, solicita testes complementares para confirmar o diagnóstico.

Apesar de não ter cura, o glaucoma pode ser controlado. O tratamento tem como objetivo reduzir a pressão dentro dos olhos e impedir a progressão dos danos ao nervo óptico. Dependendo do caso, podem ser utilizados colírios, procedimentos a laser ou cirurgias.

Além dos impactos na visão, a doença pode comprometer a autonomia dos pacientes. A perda progressiva do campo visual pode dificultar atividades cotidianas como dirigir, ler, subir escadas e realizar tarefas domésticas. Especialistas também apontam associação entre glaucoma e aumento do risco de quedas, acidentes e problemas emocionais.

A orientação dos médicos é manter consultas oftalmológicas regulares, principalmente após os 40 anos. O diagnóstico precoce continua sendo a principal estratégia para preservar a visão e evitar complicações irreversíveis.

Fonte: G1 Saúde