
Especialista destaca que exercícios regulares reduzem riscos de doenças, preservam a independência e melhoram a qualidade de vida na terceira idade
O envelhecimento da população já é uma realidade no Brasil e traz desafios importantes para a saúde pública, especialmente no que diz respeito à manutenção da autonomia e da qualidade de vida dos idosos. Nesse cenário, a prática regular de atividade física se consolida como uma das estratégias mais eficazes para um envelhecimento saudável.
De acordo com o médico ortopedista e docente da Afya Cruzeiro do Sul, Fabio Loureiro Pimentel, o exercício físico tem papel fundamental na prevenção de doenças e na preservação da funcionalidade. “O envelhecimento está associado a diversas alterações no organismo, mas a prática regular de atividade física é capaz de atenuar significativamente esses impactos, contribuindo para a manutenção da independência e da qualidade de vida”, afirma.
Impactos do envelhecimento no corpo
Com o passar dos anos, o organismo passa por mudanças naturais que podem comprometer a saúde e a mobilidade. Entre elas estão a perda de massa muscular (sarcopenia), redução da densidade óssea, diminuição da capacidade cardiorrespiratória e alterações no equilíbrio.
Esses fatores aumentam o risco de quedas, fraturas e hospitalizações, além de favorecer a perda de autonomia. No entanto, a adoção de uma rotina de exercícios pode reverter ou minimizar esses efeitos. “O treinamento de força, por exemplo, promove ganhos importantes de massa muscular e funcionalidade, mesmo em pessoas acima dos 70 anos, sendo fundamental na prevenção da incapacidade funcional”, destaca o especialista.
Além dos ganhos musculares, a atividade física também exerce papel importante na saúde cardiovascular e metabólica. A prática regular está associada à redução da pressão arterial, melhora dos níveis de colesterol e maior controle da glicemia.
Segundo recomendações internacionais, adultos e idosos devem realizar entre 150 e 300 minutos semanais de atividades físicas de intensidade moderada, além de exercícios de fortalecimento muscular ao menos duas vezes por semana. “Pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, além de diabetes tipo 2 e mortalidade precoce”, explica Fabio Loureiro Pimentel.
Benefícios para a mente e o bem-estar
Os impactos positivos da atividade física vão além do corpo. A prática regular também contribui para a saúde mental, reduzindo sintomas de ansiedade e depressão, além de melhorar a função cognitiva. “Exercitar-se não fortalece apenas o corpo. Também ajuda a preservar a saúde do cérebro, melhora o humor e promove bem-estar emocional”, ressalta o médico.
As quedas estão entre as principais causas de complicações de saúde em idosos. Programas que combinam exercícios de força, equilíbrio e coordenação são eficazes na redução desses eventos.
A manutenção da autonomia, capacidade de realizar atividades do dia a dia, é um dos principais indicadores de envelhecimento saudável, e a atividade física tem papel central nesse processo. “Manter-se ativo é fundamental para preservar a independência. O exercício contribui diretamente para que o idoso continue realizando suas atividades com segurança e qualidade de vida”, pontua.
Além da prática individual, a disseminação de informações confiáveis também é essencial. Instituições de ensino na área da saúde desempenham papel estratégico na formação de profissionais capacitados para orientar a população.
Para Fabio Loureiro Pimentel, esse compromisso vai além da sala de aula. “Formar profissionais conscientes da importância da prevenção e do envelhecimento ativo é fundamental para ampliar o impacto positivo na sociedade”, afirma.
O envelhecimento saudável não acontece por acaso, mas é resultado de escolhas ao longo da vida. A atividade física, quando orientada e adaptada às condições individuais, é uma das ferramentas mais acessíveis e eficazes para garantir longevidade com qualidade. “Promover o movimento é promover saúde. A atividade física deve ser vista como parte essencial do cuidado contínuo com o corpo e com a vida”, conclui o especialista.




