Relatório do MEC já apontava violência, bullying e ameaças em escolas do Acre antes de ataque em Rio Branco

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Foto:WHIDY MELO

Meses antes do atentado que matou duas funcionárias do Instituto São José, em Rio Branco, o Acre já aparecia em levantamentos nacionais relacionados à violência no ambiente escolar.

Os dados constam no 4º Boletim Técnico “Escola que Protege”, divulgado em fevereiro deste ano pelo Ministério da Educação (MEC), Ministério dos Direitos Humanos e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O relatório reúne indicadores sobre bullying, ameaças, ataques extremos, violência interpessoal e sensação de insegurança nas escolas brasileiras.

Entre os dados apresentados, 2,7% das escolas acreanas relataram interrupção do calendário letivo em 2023 por causa de episódios de violência.

Outro indicador aponta que 1,8% das escolas do Acre registraram ao menos um caso de tiroteio ou bala perdida no mesmo período.

Crescimento de ameaças e radicalização online

O estudo também apresenta um panorama nacional sobre violência extrema em instituições de ensino.

Segundo o boletim, entre 2001 e 2025, o Brasil registrou 47 ataques em escolas, com 177 vítimas, sendo 56 mortes e 121 feridos.

O relatório aponta que fatores como radicalização digital, discursos de ódio, comunidades extremistas online e acesso facilitado a armas de fogo dentro de casa aparecem entre os principais elementos associados aos ataques.

De acordo com o levantamento, armas de fogo foram utilizadas em 20 dos 47 atentados catalogados e responderam por cerca de três quartos das mortes registradas.

Outro dado considerado alarmante pelas autoridades é o aumento de ameaças virtuais contra escolas brasileiras.

Segundo pesquisa citada no documento, o número de publicações com ameaças e discursos de ódio direcionados a instituições de ensino cresceu 360% entre 2021 e 2025, ultrapassando 88 mil menções até maio do ano passado.

O boletim aponta ainda que 12,6% das escolas brasileiras sofreram ameaça ou tentativa de ataque nos 12 meses anteriores a uma pesquisa realizada em 2023 , o equivalente a mais de 16 mil instituições.

Violência cotidiana nas escolas

Além dos ataques extremos, o relatório destaca crescimento de episódios de violência cotidiana dentro das escolas brasileiras.

Somente em 2024, foram registradas 15.759 notificações de violência interpessoal em instituições de ensino e outros 2.273 casos de violência autoprovocada.

O levantamento também relaciona bullying, discriminação e violência psicológica ao risco de episódios futuros de violência extrema.

Em 2023, 67,5% dos diretores escolares brasileiros relataram casos de bullying em suas unidades de ensino.

Caso do Instituto São José

O ataque ocorrido no Instituto São José, em Rio Branco, na última terça-feira, 5, passou a integrar a cronologia nacional de violência extrema em escolas.

O atentado deixou mortas as funcionárias Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 37, que tentaram impedir o avanço do adolescente de 13 anos responsável pelos disparos.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, as duas perceberam o ataque e tentaram proteger estudantes e servidores da escola, mas acabaram baleadas. Outras pessoas também ficaram feridas, entre elas uma estudante.

Fonte: A Gazeta do Acre