Por Katiussi Melo

O trabalho literário de incentivo à leitura e à produção textual desenvolvido pelo poeta e escritor acreano Alessandro Borges, nas escolas municipais e estaduais de Rio Branco, acaba de ultrapassar fronteiras e conquistar reconhecimento internacional. O autor recebeu quatro diplomas concedidos pelo Instituto Cultural Colombiano Casa Magia e Pluma, por meio de seu diretor administrativo, Cristian Camilo Serna Villada.
A homenagem reconhece a relevância do trabalho literário realizado por Alessandro e sua contribuição para a valorização da literatura acreana. Segundo Camilo, a atuação do escritor “tem sido de grande importância para a elevação da literatura acreana”.
Natural do Acre e morador da Baixada da Sobral, Alessandro Borges vem se destacando pela forma simples e sensível com que constrói seus textos. O poeta busca inspiração justamente na simplicidade da vida cotidiana, transformando experiências comuns, histórias e vivências em poesia.
Seu olhar atento ao cotidiano e ao corre-corre das pessoas se tornou marca registrada em suas obras, escritas a partir das experiências vividas nas comunidades e no convívio popular. Alessandro também faz questão de homenagear pessoas em seus poemas e textos, por acreditar que ninguém deve ser esquecido em vida.

Um exemplo disso é o poema “Tarde sangrenta”, sua obra mais recente, marcada pela emoção e pela dor. O texto faz referência ao atentado ocorrido no Instituto São José, tragédia que resultou na morte de duas funcionárias. O poema rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, alcançando quase 4 mil visualizações em poucas horas e evidenciando a força e a identificação do público com sua poesia.
Assim é Alessandro Borges: um homem simples, que maneja a caneta com sensibilidade e transforma o cotidiano das pessoas em poesia.
Confira trechos da poesia:
Tarde Sangrenta
Numa escola à beira do rio barrento,
O vento sussurrava calmaria.
Mas súbito, no claro do dia pleno,
Um grito rasgou o ar — e tudo ruía.
Era a fúria insana, inesperada:
A violência fria, arma na mão.
O estampido seco, dança descompassada,
Semeando morte em cada direção.
Sem freio, sem rosto, sem piedade,
Cuspia fogo, cega em seu furor;
E a vida, colhida em plena idade,
Caía em silêncio, vencida pela dor.
Zena e Raquel — luzes eternas —
Ergueram-se além do próprio fim.
Como Cristo, em entrega fraterna,
Deram suas vidas por outros, assim.
Tombaram juntas… mas não se apagam:
Renascem vivas na recordação.
São flores que em cada rua desabrocham,
Estrelas acesas no coração.
Não foi a arma que as fez parar,
Mas o destino que as uniu no fim.
Hoje brilham no céu a nos guiar,
Contra a sombra que insiste em vir.
Borges, Alessandro – 05/05/2026







